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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

"A Teologia da Prosperidade cresceu como galho metafísico da autoajuda. Desapareceu o Deus do sofrimento e da dor. Desponta o amparo divino para minha estabilidade econômica. A proteção celeste não incide apenas sobre a alma, mas sobre os deleites materiais do corpo. Pessoas falam, orgulhosas, nos programas de televisão: – 'Aceitei Jesus no coração, limpei meu nome e comprei um apartamento na praia'. O Céu começa aqui e agora!' 'O justo viverá pelo Itaú Personnalité!'
Deus assume atitude de RH. Esperar pela morte para receber o Paraíso? Longe demais... Incerto demais... Quero amortizacão imediata da minha fé! Ao invés de 'Olhai os Lírios do Campo' surge: 'invistam no mercado futuro de flores e joguem tudo em ações para quando o preço dos lírios disparar' 'O Senhor é meu pastor e Audi é o meu carro.'
Pena que só agora exista esta ideia. José , esposo de Maria, poderia ter aberto franquias da sua carpintaria (afinal, ele era pai adotivo do CARA) . Jesus poderia vender vídeos de cura e um canal exclusivo (e pago) de coaching. Os apóstolos entregariam, pelo correio, 'kits de exorcismo'.
É triste que Jesus seja tão anterior a seus representantes atuais. Com a teologia da prosperidade, ele teria morrido feliz e com uma linda casa com vista para o Mar Morto, com piscina de borda infinita…
Mas, como expulsar vendilhões do Templo se, agora, o próprio Templo foi construído por eles?"


Leandro Karnal

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